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Prateleiras da Vida

  • Foto do escritor: Adriele Bessa
    Adriele Bessa
  • 25 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 26 de mar.

arquivo pessoal
arquivo pessoal

Dia desses tive um papo profundo com uma amiga sobre a posição que colocamos as pessoas na prateleira da nossa vida, e em um primeiro momento a minha análise sobre a minha própria mobília foi bem desapegada, enquanto ela sente muito mais quando percebe que não ocupa o mesmo lugar em que coloca o outro.

Revirando minhas notas encontrei um rascunho de desabafo sobre uma outra amiga e o quanto fiquei triste de perceber que ela seguiu em frente no sentido de não compartilhar mais as coisas, parece bobo né? até infantil em determinado ponto. Eu sou uma amiga que compartilha cada coisinha com o outro, se  deixar eu transformo a janela do whats em um feed do bluesky (twitter ou qualquer semelhante que você use) e isso me pegou muito quando reli esse rascunho e entendi o ponto dela com mais clareza - hipocrisia ou só a complexidade do ser humano e as suas relações? 

É muito louco quando você olha para alguém que costumava compartilhar tudo e não consegue identificar quando foi que mudou ou o quanto mudou até se deparar com algum acontecimento. 

Uma pessoa muito querida viajou esses tempos e fiquei super feliz porque sabia que era algo que ela sempre quis fazer, fora tudo que aconteceu no último ano em sua vida, minha primeira reação foi: "olha a fulana viajou, que legal” e depois me dei conta de que tem meses que não conversamos, fala sério tem anos que a gente não conversa mais profundamente como costumávamos fazer e tá tudo bem, a vida vai acontecendo e a gente vai tendo que priorizar uma coisa e outra. Mas reler essa nota me lembrou do papo profundo sobre o lugar que arrumamos as pessoas na nossa prateleira e tudo que foi compartilhado comigo fez tanto sentido, talvez eu só não quisesse ver naquele momento que algumas pessoas realmente não me colocam no mesmo lugar, porque na minha apesar de algumas estarem em uma prateleira menos visível eu sei que está lá e sempre vai estar, mas provavelmente algum dia talvez ela saia, porque as relações mudam e você se entrega ao outro na mesma medida mesmo que não perceba, encarar isso as vezes dói porque entendemos que é um ciclo que se fechou  mas que fará muita falta, e acho que foi por isso que a minha primeira analise pareceu um tanto rasa, tipo todas as pessoas que eu coloco na minha prateleira tem uma importância pra mim obviamente, mas naquele momento eu pensei acho que é mais sobre conexão e não na presença física” e não mudei de opinião sobre isso, mas reler o meu desabafo me deixou muito mais próximo da visão da minha amiga sobre se você esta na prateleira alta então eu vou fazer tudo por você, enquanto que eu estava defendendo algo como “não precisa ter uma ordem na prateleira, se esta lá então é importante e consigo lhe dar com isso", mas vejam só como o ser humano é complexo né? - ou só hipócrita mesmo - não é desse jeito e nem vai ser, sempre vamos nos doar a quem está se doando, claro são casos e casos, mas no geral é assim, porque é assim que aprendemos, mas é tudo tão complexo, as vezes é alguém que não está tão presente e você facilmente daria a volta no mundo por essa pessoa, por outro lado, alguém que está aqui todo dia sempre deixa claro o quanto você é ou não prioridade pra ela, e no fundo em muitas situações isso machuca um pouco porque você percebe que talvez não esteja realmente em uma prateleira tão alta e aí eu não sei vocês eu no geral me afasto, sem aviso, já não pergunto muito, ou busco alguma conversa, claro isso depois de algumas tentativas de manter alguma conexão e isso mostra o quanto eu fiz uma análise bem rasa na conversa toda, eu não tenho muitos amigos, então os que eu tenho eu gosto de fazer manutenção vez e outra porque também tem isso né, os que não estão presentes e falantes todos os dias mas estão lá - e quando eu falo de conexão falo disso - . Mas é isso né, as relações humanas são complicadas, estamos baseados não só em conexões, mas em fases pessoais, sentimentos, entregas, solitude, enfim, uma série de coisas que vão definir nossas relações. Acho que eu só tenho dificuldade em desapegar de algumas coisas/conceitos/pessoas ou talvez não estivesse realmente aberta a conversar sobre o tema, dada as horas da madrugada (era cedo ainda 21h, mas para esta jovem senhora que sempre dormiu cedo, muito tarde).

#edit: esses dias que descobri que na plataforma tem uma aba para responder os comentários, então agora que comecei a responder alguns, sorry se deixei alguém no vácuo, os dias também foram corridos ai fiquei um bom tempo sem vir aqui.

 
 
 

4 comentários

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Clayci
01 de abr.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Fiquei pensando muito nessa metáfora da prateleira… como a gente tenta acreditar que todas as relações têm o mesmo peso, mas no fundo sabe que não é bem assim. www.saidaminhalente.com

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Adriele Bessa
Adriele Bessa
22 de abr.
Respondendo a

E é difícil as vezes entender que nada vai ter o mesmo peso, o que não quer dizer que não é importante, tem coisas/relações que não precisa ser eterna na presença, mas se deixa uma memoria agradável já vale muito ❤️

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JUCÁ
25 de mar.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Você ta sempre na minha prateleira alta ❤️

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Adriele Bessa
Adriele Bessa
25 de mar.
Respondendo a

😍😍

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