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Aceitando o descontrole

  • Foto do escritor: Adriele Bessa
    Adriele Bessa
  • 13 de mai.
  • 4 min de leitura

Depois de alguns meses de novos protocolos e crises ansiosas insanas, eu me dei conta - na verdade eu me forcei - que preciso desapegar daquilo que não posso controlar. Parece  óbvio né, e é, mas não é fácil, é uma pressão diária para entregar 100%, o que nem sempre fica claro, é que na grande maioria das vezes a gente não tem controle de tudo que precisa entregar, as vezes nossa parte do trabalho é até bem simples, mas precisa ser entregue para quem vai fazer a mágica e ai quem deveria te entregar para você fazer a sua parte tá com um grande foda-se para os prazos, afinal em mais de 80% das vezes essa pessoa - vulgo chefe maior, em uma escala de hierarquias muito grande - acha que estamos todos a disposição 24h por dia 7 dias por semana (isso não é sobre a escala 6x1, embora eu seja contra ela também). É sobre a gente desapegar do que não controlamos, eu tenho uma demanda que deveria ter enviado no início da semana - já tamo na metade - e o que eu preciso que seja decidido só vai ser decidido pela noite, ou seja, só vou conseguir enviar amanhã, levando em consideração que tudo já estará decidido, porque se não tiver… bom… Paciência 🙅🏽‍♀️. 

OBS: escrevi esse texto na terça - da semana passada - e deveria ter entregue a demanda na quarta, mas nada foi decidido na terça, então a demanda segue atrasada. 

Eu tenho aprendido a duras penas, que não posso controlar todo o processo, e infelizmente às vezes a parte que me cabe vai ter que estar atrasando não por minha causa, mas porque alguém antes de mim precisou atrasar e é sobre isso. Eu tenho uma questão muito séria com isso porque o tempo todo acho que to sendo julgada, que meu trabalho não é tão bom assim, que não estou entregando o suficiente, que preciso melhorar o tempo todo que tudo está apenas sendo empurrado (as vezes a depender das circunstancias, pode ser que esteja tudo isso aí mesmo🥲). E aí eu me lembro que não depende de mim então não tem porque estar surtando, mas cara, isso é a coisa mais difícil da vida adulta, na minha humilde opinião. Por que somos assim?!

O exercício de “não vou surtar porque isso não é minha culpa” é muito difícil "a mais você pode cobrar", sim posso e cobro, mas não posso ir lá fazer o trabalho do coleguinha, e tem coisas que não importa o quanto eu cobre quem tem que definir não sou eu então, não dá para eu ficar surtando. Esse tem sido talvez um dos meus maiores aprendizados, se o outro não fizer a parte dele, paciência, eu é que não posso ir lá dizer que ele precisa fazer já que ele sabe disso, além do mais, imprevistos acontecem né? As vezes nem é má vontade é só que a pessoa passou por alguma situação, por exemplo na terça em que tudo deveria ter sido decidido caiu uma senhora chuva (quando que não está chovendo em Belém?!) e a cidade ficou alagada em vários pontos, inúmeros compromissos tiveram que ser adiado, e nessa situação vamo ter que estar surtando por outras coisas e não pelo relatório que não foi entregue, por que a casa alagou, o carro boiou o ônibus deu prego no  meio do alagado, o trânsito estava um caos e embora você estivesse no conforto do seu carro ainda teve que ficar 1h ou mais parado por conta do tráfego intenso. 

Foi o mesmo aprendizado que eu tive com horários, eu detesto chegar atrasada - e detesto ficar esperando mais ainda - e ficava super eufórica e saia estabanada as vezes sem fazer a refeição por que estava muito atrasada e depois de um tempo eu me dei conta que já to atrasada vou correr para que não vai adiantar, então paciência. Obviamente que isso não acontece o tempo todo e dependendo do compromisso vamos ter que ta saindo estabanada mesmo pra chegar o máximo no horário que conseguirmos, mas isso não era uma regra para mim em nem uma situação, por exemplo, uma vez minhas amigas marcaram um role comigo as 10h da manhã de um sábado ou domingo não lembro, eu cheguei EXATAMENTE no horário marcado nem um segunda a mais nem a menos (e por muito tempo fui com orgulho a pessoa lembrada por sua pontualidade!), quando cheguei descobri que era uma surpresa de aniversário e nem todo mundo tinha conseguido chegar no horário combinado por n's motivos e os que estavam lá estavam organizando as coisas, no fim eu ajudei a terminar a arrumação da minha própria festa surpresa 🤣, era um momento descontraído e obviamente eu levava os horários bem ao pé da letra, ainda levo, mas tento desacelerar. 

Esse texto é só mais um desabafo de como coisas pequenas as vezes tiram o nosso sono e não nos damos conta que nem tudo é sobre nós, o processo das coisas é feito por várias pessoas e nem sempre vamos poder controlar tudo, mesmo que a gente queira muito, não é para normalizar um trabalho desleixado ou justificar aquele colega que só chega atrasado para tudo (não seja essa pessoa) ter compromisso com as pessoas é importante, mas ter com a gente mesmo é mais ainda. 

Eu sofria muito pelas coisas, ainda sofro - das mais simples as mais complexas -mas tento respirar e entender o que está acontecendo, se realmente sou eu, ou se depende de outras coisas/pessoas, e na maioria das vezes realmente não depende de mim, mas é isso né, vivendo e aprendendo, e ainda que dependa, nem sempre vai sair como o esperado, então ou surta ou respira e vê o que da pra fazer sem surtar - na maioria das vezes vamos surtar, tentar respirar e resolver surtando mesmo 😅.

Só mais um desabafo que eu gostaria de estar fazendo com uma taça de vinho, mas só vou estar tendo o horário entre uma demanda e outra no trabalho. 


 
 
 

1 comentário

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Luiza Costa
13 de mai.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Esse texto é um grande SIIIIIIIMMM! Me identifiquei muito com tudo: aflições, cobranças, necessidades etc....

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